Do Modelo CAD aos arquivos STL, OBJ e PLY para Impressão 3D
Apresentar o processo de geração e exportação de um modelo 3D em software CAD para um arquivo .STL, .OBJ e .PLY abordando particularidades entre diferentes softwares e a possibilidade de uso de um scanner 3D.
O Processo de Modelagem 3D em CAD
1
Introdução ao software CAD 3D
Utilizado para criar modelos digitais tridimensionais detalhados.
2
Principais passos
  • Esboço inicial
  • Extrusão ou revolução para dar volume
  • Adição de características (furos, cortes, etc.)
  • Ajustes de acabamento
3
Exemplo
Como Onshape, SolidWorks, Inventor e Fusion compartilham ferramentas de modelagem, mas com diferenças na interface e nos recursos.
Ferramentas Básicas de Modelagem
Principais Ferramentas CAD 3D
  • Esboço 2D - Extrusão - Revolução
  • Operações booleanas - Filetamento
Importância da Precisão
Observação sobre a importância de precisão e detalhamento para garantir que o modelo possa ser impresso corretamente em 3D.
Preparação para Exportação

1

2

3

4

1
Ajuste do modelo
Modelo sólido e sem falhas
2
Análise de solidez
Uso de ferramentas específicas
3
Identificação de problemas
Detecção de falhas estruturais
4
Correção
Resolução de problemas identificados
Ajuste do modelo para impressão: o modelo precisa ser sólido, sem falhas (corpo fechado).
Ferramentas de análise de solidez do modelo (disponíveis em Fusion e SolidWorks, por exemplo) para identificar e corrigir possíveis problemas estruturais.
O que é o Arquivo .STL?
O formato STL, que significa StereoLithography, foi desenvolvido especificamente para impressão 3D. Também pode ser chamado de “Standard Triangle Language” ou “Standard Tessellation Language”. Este formato de arquivo é fundamental no processo de transformar um modelo CAD em um objeto físico impresso em 3D.
Uma característica essencial do arquivo STL é como ele representa a superfície do modelo 3D. Isso é feito por meio de uma malha de triângulos. Esta malha triangular cria uma aproximação da geometria do objeto, permitindo que a impressora 3D interprete e reproduza a forma do modelo.
É importante observar que o arquivo STL tem algumas limitações. Ele não armazena informações de cor, material ou textura – apenas a geometria do objeto. Isso significa que, embora o STL capture perfeitamente a forma do seu modelo, outros aspectos visuais ou materiais precisarão ser definidos separadamente no processo de impressão 3D.
Entenda a importância do arquivo STL.
O arquivo STL é um formato universal essencial para a impressão 3D, padronizado para exportar modelos tridimensionais e lido pela maioria das impressoras 3D. Criado para representar a superfície de objetos 3D, ele utiliza uma malha de triângulos que descrevem a geometria da peça com precisão. Cada triângulo é definido por três vértices que se conectam para formar as faces do modelo, garantindo que o formato de cada componente seja matematicamente claro e adequado para os processos de manufatura aditiva.
Estrutura do arquivo STL
A popularidade do STL se dá pela compatibilidade: quase todos os softwares de CAD são capazes de gerar arquivos neste formato. Ao criar um modelo, basta exportá-lo para a extensão STL, que será a base para a fatiagem. A função do arquivo STL é armazenar a estrutura geométrica em dois tipos de codificação: ASCII ou binária. Ambas contêm as coordenadas de cada ponto e as normais dos triângulos, elementos que permitem ao fatiador interpretar corretamente o modelo para a impressora.1. No painel de projeto, selecione o modelo e escolha a opção "Exportar".
A partir do STL, é necessário carregar o arquivo em um software de fatiamento, que corta o modelo em camadas 2D horizontais. Este processo, que converte o modelo em instruções legíveis pela impressora, gera o G-code — o código que dita cada movimento da impressora, além de configurar o fluxo de material e o tempo estimado de impressão.
Para garantir a viabilidade de impressão, é preciso observar alguns critérios, como espessura mínima de paredes e continuidade da malha do modelo. O software de fatiamento ajuda a identificar possíveis falhas, como buracos ou partes desconectadas, que podem impedir a impressão bem-sucedida. Embora o STL seja amplamente utilizado, há outros formatos, como o OBJ, que armazena dados de cor e textura, e o PLY, voltado para objetos escaneados em 3D.
Apesar da variedade de formatos, o STL mantém uma posição de destaque. Ele combina simplicidade e versatilidade, sendo aceito em quase todas as plataformas de impressão 3D, desde impressoras FDM até tecnologias mais avançadas. Esse modelo de arquivo é essencial para quem trabalha com manufatura aditiva, tornando-se uma peça-chave na cadeia de produção de peças físicas a partir de projetos digitais.
Usando arquivos OBJ e PLY.
Arquivos OBJ
O arquivo OBJ é um formato de dados bastante utilizado em computação gráfica e, recentemente, tem ganhado espaço em manufatura aditiva, pois permite a representação precisa de modelos 3D com texturas e cores. Criado pela empresa Wavefront Technologies, esse formato armazena a geometria de um objeto tridimensional, incluindo vértices, coordenadas UV (para mapeamento de texturas) e normais das superfícies. Essas características fazem com que o arquivo OBJ seja um dos formatos favoritos em animação e jogos, além de ser uma excelente opção para impressão 3D em cores, especialmente com impressoras avançadas que podem lidar com múltiplas tonalidades e materiais.
A principal diferença entre o OBJ e o STL é a capacidade de o OBJ armazenar informações sobre textura e cor. Isso é feito através de um arquivo auxiliar de material (MTL), que guarda as propriedades visuais de cada face ou conjunto de faces do modelo 3D. Assim, o arquivo OBJ é dividido em duas partes: a geometria do objeto (no arquivo OBJ propriamente dito) e as informações sobre cor e textura (no arquivo MTL).
Outro aspecto importante do OBJ é sua popularidade entre diversos softwares de modelagem, como Blender, ZBrush e Autodesk Maya, que permitem exportar e importar arquivos nesse formato. Na manufatura aditiva, o OBJ é especialmente útil em tecnologias de impressão avançadas, como a MultiJet ou a Binder Jetting, pois possibilita que o modelo seja impresso com as propriedades visuais criadas em softwares de design.
Usando arquivos OBJ e PLY.
Arquivos PLY
O arquivo PLY (Polygon File Format), originalmente desenvolvido no Stanford Graphics Lab, foi criado para armazenar dados de digitalizações 3D de alta qualidade. Sua proposta é registrar detalhes de objetos físicos, incluindo texturas e cores, capturados por escâneres 3D, e facilitar o processamento e visualização de modelos complexos. Diferente do OBJ, que é mais focado em design e animação, o PLY é comumente usado em pesquisa científica, modelagem de arqueologia e digitalizações médicas, pois suporta alta precisão e densidade de pontos.
Uma das vantagens do formato PLY é sua capacidade de armazenar dados adicionais, como cor RGB e níveis de transparência (além da geometria), diretamente no arquivo principal, sem a necessidade de um arquivo auxiliar. Essa estrutura permite que o modelo PLY contenha não só o mapeamento 3D da superfície, mas também informações detalhadas sobre as cores do objeto digitalizado. Assim, ele é muito eficiente para scanners 3D que geram "nuvens de pontos" densas e realistas, oferecendo um modelo fiel do objeto escaneado.
Apesar de o PLY ser menos popular que o OBJ e o STL em manufatura aditiva, ele é frequentemente convertido para esses formatos para impressão 3D. No entanto, com o aumento das impressoras 3D capazes de reproduzir detalhes de textura e cor, o PLY vem se tornando uma opção interessante para preservar essas informações durante o processo de impressão, especialmente em tecnologias que permitem impressão colorida e com texturas.
Comparação dos arquivos OBJ e PLY com o arquivo STL.
Ambos os formatos OBJ e PLY oferecem vantagens sobre o STL em aplicações que exigem representações detalhadas de cor e textura. Enquanto o STL é o formato padrão e amplamente compatível com todas as impressoras 3D, ele não suporta informações sobre cor e textura, o que limita sua aplicação em projetos que requerem esses detalhes. O OBJ, com seu arquivo de materiais auxiliar, e o PLY, com informações de cor e textura embutidas, são melhores opções para projetos coloridos e detalhados. Contudo, vale lembrar que nem todas as impressoras 3D conseguem processar essas informações, então a escolha do formato deve levar em conta tanto as capacidades do software de fatiamento quanto as especificações da impressora utilizada.
Esses formatos OBJ e PLY, cada um com suas particularidades, tornam-se opções vantajosas para projetos que exigem uma visualização mais rica e fiel dos modelos em 3D, seja para prototipagem avançada, artes digitais, pesquisa, ou mesmo para o desenvolvimento de produtos coloridos e texturizados em manufatura aditiva.
Exportação para .STL no Onshape

1

2

3

4

1
Salvar o arquivo
2
Definir resolução
3
Escolher formato STL
4
Selecionar modelo
Passo a Passo:
  1. Selecione o modelo a ser exportado. Clique com o botão direito do mouse na aba deste modelo.
  1. Acesse as configurações de exportação e escolha o formato STL.
  1. Defina a resolução de exportação (Alta, Média, Baixa) de acordo com a qualidade desejada.
  1. Salve o arquivo.
Observação: Onshape permite exportação diretamente na nuvem, facilitando o acesso remoto ao arquivo.
Exportação para .STL no SolidWorks
1
Passo 1: Acessar o Menu
Com o modelo finalizado, vá até o menu "Salvar como".
2
Passo 2: Selecionar Formato
Selecione "STL" como tipo de arquivo.
3
Passo 3: Configurar Resolução
Escolha as configurações de resolução: ajustável em "Opções STL" (inclusão de configuração de qualidade).
4
Passo 4: Salvar Arquivo
Salve o arquivo em um local de preferência.
Dica: SolidWorks oferece opções detalhadas de controle da qualidade da malha STL.
Exportação para .STL no Autodesk Inventor
1
Passo 1
Selecione "Exportar" no menu principal e escolha "Salvar como".
2
Passo 2
Selecione o formato STL e acesse as configurações de resolução.
3
Passo 3
Ajuste a precisão para manter o balanceamento entre tamanho do arquivo e qualidade da impressão.
4
Passo 4
Salve o arquivo.
Observação: Inventor também permite visualizar a malha STL antes da exportação, útil para evitar ajustes posteriores.
Exportação para .STL no Fusion 360

1

2

3

4

1
Exportar
Selecione o modelo e escolha "Exportar"
2
Formato STL
Escolha o formato STL
3
Ajustar Malha
Ajuste resolução e método de facetamento
4
Salvar
Clique em "Salvar"
Passo a Passo:
1. No painel de projeto, selecione o modelo e escolha a opção "Exportar".
2. Escolha o formato STL e ajuste a malha com opções como resolução e método de facetamento.
3. Clique em "Salvar".
Diferenciais: Fusion 360 permite exportação direta para plataformas de impressão 3D conectadas na nuvem.
Edição de Arquivos 3D em Softwares CAD. Por que NÃO importar arquivos .STL para edição?
  • Arquivos .STL representam o modelo 3D como uma malha de triângulos, sem informações de geometria sólida.
  • Essa malha não possui arestas, planos ou faces reconhecíveis pelos softwares CAD como elementos editáveis.
  • O resultado: difícil (ou impossível) de modificar com precisão dimensões, furos, extrusões, etc.
Formatos de Arquivo Ideais para Edição Para garantir que o modelo 3D seja editável, utilize formatos que preservem a geometria sólida (B-Rep): .STEP (.stp), .IGES (.igs), .SAT (.sab), .XT (.x_t, Parasolid), .3MF (em alguns casos).
Fluxo de Trabalho Correto Importar o arquivo 3D em formato editável:
  1. Use arquivos .STEP, .IGES, .SAT ou similares.
  1. Editar o modelo no software CAD:
  1. Aplicar extrusões, cortes, furos, filetes, etc.
  1. Verificar geometria e integridade do modelo.
  1. Exportar para impressão 3D:
  1. Após finalizar o modelo, exportar como .STL.
  1. O formato .STL é o padrão para fatiadores de impressão 3D.
Scanner 3D como Alternativa para Obtenção de Modelos
  • Como os scanners 3D capturam objetos físicos e geram modelos tridimensionais em formatos como STL, OBJ ou PLY.
  • Processo de pós-edição: softwares de CAD (Fusion 360, SolidWorks, etc.) permitem edição e ajuste do modelo digital escaneado.
Observação: Scanners são úteis para objetos complexos ou peças sem design digital original, mas podem precisar de retoques para correção de imperfeições.
Comparação e Considerações Finais sobre Exportação
Comparação entre Onshape, SolidWorks, Inventor e Fusion quanto à flexibilidade e opções de exportação STL.
Impacto da resolução do STL na qualidade da impressão e no tempo de processamento da impressora.
Dica: Testar diferentes resoluções pode ajudar a balancear a qualidade da peça com o tempo e recursos de impressão.
Conclusão e Dicas Práticas
Resumo dos principais pontos abordados, desde a criação do modelo até a exportação para STL, OBJ e PLY. Recomendações finais para escolha de software conforme o tipo de projeto e complexidade da peça. Importância de revisão e verificação do arquivo STL, OBJ ou PLY antes da impressão para evitar erros.
A possibilidade de utilizar scanners 3D e ajustar os modelos capturados no software de CAD amplia as opções para criação de modelos físicos e acelera o processo de prototipagem.
Verificação do aprendizado.
Clique no botão que corresponde ao seu curso e disciplina, e responda as questões.
Tecnologia
AUSA05
Engenharia
Softwares para Captura 3D com Scanners
  1. Geomagic Capture
  • Descrição: Solução profissional de captura 3D que integra hardware e software, com suporte a várias resoluções e precisão milimétrica.
  • Uso: Escaneamento industrial e engenharia reversa.
  1. Artec Studio
  • Descrição: Software avançado para escaneamento 3D, compatível com scanners da Artec e outros dispositivos. Possui ferramentas para otimização de modelos.
  • Uso: Aplicável em engenharia reversa, modelagem de precisão e preparações para impressão 3D.
  1. PolyWorks
  • Descrição: Ferramenta profissional que combina escaneamento e metrologia, projetada para capturar e processar modelos de alta precisão.
  • Uso: Ideal para manufatura e inspeção em processos industriais.
  1. VXmodel (Creaform)
  • Descrição: Ferramenta complementar para a preparação de modelos 3D escaneados, compatível com scanners Creaform e integrada ao software de modelagem VXelements.
  • Uso: Ajustes e preparação de modelos para engenharia e fabricação.
Aplicativos Móveis para Captura 3D
  1. Polycam
  • Descrição: Utiliza o sensor LiDAR de dispositivos iOS (iPhone e iPad) para criar modelos 3D detalhados.
  • Compatibilidade: iOS (com LiDAR).
  • Uso: Ideal para digitalização de ambientes e objetos de pequeno a médio porte.
  1. 3D Scanner App
  • Descrição: Um aplicativo gratuito para dispositivos iOS com LiDAR, captura formas tridimensionais com precisão razoável.
  • Compatibilidade: iOS (com LiDAR).
  • Uso: Para modelagem básica e visualizações de espaços ou objetos simples.
  1. Qlone
  • Descrição: App que permite escanear objetos usando câmeras convencionais de smartphones, e gera um modelo 3D a partir de fotos.
  • Compatibilidade: iOS e Android.
  • Uso: Para captura de pequenos objetos e modelos básicos.
  1. Scandy Pro
  • Descrição: Utiliza o sensor LiDAR de dispositivos iOS para digitalizar ambientes e objetos com precisão.
  • Compatibilidade: iOS (com LiDAR).
  • Uso: Escaneamento de objetos e preparação para visualizações e impressões 3D.
Referências Bibliográficas
  1. GARDAN, Julien. Impressão 3D: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: LTC, 2018.
  • Este livro aborda desde os fundamentos até as aplicações práticas da impressão 3D, incluindo a descrição de formatos de arquivos como o STL, e suas funções no processo de manufatura aditiva.
  1. LIBARDI, Liliane Aparecida Piva; ALVES, João Carlos; TORTORELLA, Guilherme Luz. Tecnologias de Fabricação: Fundamentos e Práticas em Processos de Produção. São Paulo: Manole, 2017.
  • Um livro que traz uma visão completa sobre processos de fabricação, incluindo a manufatura aditiva, e explora a importância do STL no ciclo de desenvolvimento de peças.
  1. GEBHARDT, Andreas. Manufatura Aditiva: Fundamentos e Aplicações de Processos em Camadas. São Paulo: Blucher, 2016.
  • Esta obra fornece um panorama técnico sobre a manufatura aditiva, detalhando o uso de arquivos STL e suas implicações nos processos de produção 3D.
  1. DORNELAS, João Carlos et al. Introdução à Engenharia de Fabricação Digital e Impressão 3D. Porto Alegre: Bookman, 2019.
  • Um livro que explora as etapas do processo de impressão 3D, do design digital até a exportação em arquivos STL e fatiamento, e é voltado para estudantes e profissionais interessados na aplicação de tecnologias digitais na fabricação.